segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Desejo Contido - Parte I



Ele crescera agraciado pela natureza bonito, inteligente, ousado, mas por mais paradoxal que se pareça, tímido.
Aos quinze anos, pela primeira vez foi a praia. O mar o encantou, seus olhos se perdiam na imensidão das águas que se encontravam com o céu na linha do horizonte.
Tudo era novidade e encanto. Tanto quanto a beleza do mar, da praia e das ondas, os corpos de tantas pessoas em tantas formas o surpreendia. Garoto de cidade pequena, jamais havia visto tantos corpos seminús, no máximo garotos sem camisas. Mas aqueles corpos todos, subindo e descendo, correndo ou banhando-se era uma visão do Éden.
Aquele desejo contido, sufocado e mantido em segredo aflorou assustadoramente. À noite deitado em sua cama, tentava fixar o pensamento em algo, mas tudo era movimento contínuo e rapidamente as imagens mudavam em sua mente, sem que ele pudesse contemplar todas as suas formas. E ali por mais desconcentrado que parecia estar, olhando pro teto, ele viajava lembrando da beleza do mar e da praia, das ondas e daqueles corpos seminús, caminhando, andando ou banhando-se, tanto quanto sua mente viajava, agora sua mão viajava pelo seu próprio corpo, totalmente inebriada de luxúria e prazer.
Ao amanhecer do novo dia, um café corrido antecipou seus passos firmes e rápidos em direção à praia. Dia bonito ele disse pra si mesmo. Mergulhou e nesse instante mergulhara junto tantos desejos. Voltou à tona, nadou em direção à areia e logo adiante sentou-se. A praia estava quase vazia naquelas primeiras horas da manhã. Poucos caminhavam e desses caminhantes a maioria já em meia idade em suas caminhadas matinais. Ele com o olhar atento em todas as direções buscava algo que pudesse completar aquele quadro fresco da paisagem matinal com o sol se descortinando no nascente, deixando seu rastro de luz forte sobre as águas. Seu olhar buscava algo que pudesse não só prender lhe a atenção, mas ao mesmo tempo encantar-lhe a alma. E foi assim, olhando em todas as direções que ao longe ele percebe um casal que caminhava acompanhado de um rapaz. Estão o suficiente longe pra ele não definir forma e beleza. Mas na medida em que se aproximam tudo vai ficando mais nítido e bonito. Era um rapaz de corpo dourado pelo sol, cabelos castanhos despenteados e amassados pela noite dormida, o que lhe dera um ar de meninão. Aos seu olhos este não deveria ter mais que dezessete anos. Vem se aproximando e ele o acompanha apenas com o olhar um tanto quanto discreto. E ao se cruzarem ele não consegue disfarçar o encanto pela escultura que lhe passava bem diante dos olhos. Esboçou um leve sorriso, misturado com suspiro e encantamento profundo. Aquele ao perceber que era notado, em retorno esboça num sorriso faceiro sinal de aceitação, mas seguiu seu caminho. Mas alguns metros adiante vira e olha-o mais uma vez. Este ao perceber, é tomado por um momento de euforia e aquele desejo contido avolumou-se em suas entranhas e a volúpia o queimou por dentro. Acompanhou-o com o olhar fixo e atento até que a distância o impedira de definir suas curvas e formas. Entristeceu e pensou em retornar pra casa.


Mas resolveu ficar, dizendo pra si mesmo: quem sabe ele volta. E por certo ele há de fazer o caminho de volta, a não ser que ele já estivesse retornando, não, não poderia ser, e tratou de se auto-enganar. E decidira ficar mais algum tempo. Voltou à água e mergulhou e junto foi-se a euforia, nadou a ponto de cansar e perder as esperanças de ver aquela escultura novamente. Já cansado, nada em direção a praia e caminha pra se sentar em algum lugar, agora a praia já estava bem mais povoada. Quem sabe ele não poderia ver outras esculturas de forma e beleza igual? Seu coração batia cansado ou agoniado, ele nem sabia ao certo se era por estar cansado de nadar ou por aquela agonia contida. Sentou-se e passou a mão sobre os cabelos e ao levantar os olhos; bem diante dele, de pé, firme, parado olhando-o com calma um corpo molhado, de olhos verdes, cabelos molhados escorrendo a água sobre a face dava-lhe a beleza que nenhuma tela poderia retratar. Sim era ele. Que apenas lhe disse sem mesmo perguntar-lhe o nome. Me encontre aqui as cinco e meia. Não posso parar agora. As cinco e meia e sorriu já correndo na direção de onde viera mais cedo. Seus olhos o acompanharam sem acreditar e seu coração batia tão rápido que chegava a doer. Não era mais que dez horas da manhã e cinco e meia, não chegaria tão cedo...
Arthur Alter

11 comentários:

  1. Bom dia Arthur, tudo bem?
    Ai que lindo, rsrs.
    A empolgação, a euforia de encontrar alguém assim, ainda mais num ambiente desses. Praticamente tá chamando, rsrsrs.
    Abraços querido
    ;)

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  2. "Ele com o olhar atento em todas as direções buscava algo que pudesse completar aquele quadro fresco da paisagem matinal com o sol se descortinando no nascente, deixando seu rastro de luz forte sobre as águas. "

    Nossa que texto foda hein!

    Então, mal espero pelas 5:30!

    hehe abraços

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  3. belo texto
    mineiro? vc é de onde?

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  4. Olá Arthur.
    Achei o que vc escreveu muito lindo. Estou muito entusiasmado pela continuação.
    Escreves muito bem. Adorei seu blog.
    De certo que terei o maior prazer de visitá-o sempre.

    Abração
    :)

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  5. Olá Luccas,
    Obrigado pelo elogio. E será um pazer tê-lo como leitor sempre.
    Enfim, li o seu texto e achei perfeito tb. Uma capacida incrível de narrar. O texto nos deu a possibilidade de criar cenas, imaginar, viajar na estória esse é o sinal de que um texto é bom.
    EU TENTEI deixar esse comentário no seu blog, as configuração de seu layout não permite ao leitores concluir o comentário. Tenata vc mesmo fazer um comentário teste em seu blog...Acredito que vc deve mudar o layout da caixa de comentários, uma idéia é cancelar a necessidade de confirmação de palavras. Do contrário ficará dificil deixar comentário em seus textos.
    Bjus

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  6. "...e tratou e se auto-enganar..." É, quantas vezes a gente se auto-engana para não sofrer e fica esperando chegar o esquecimento.
    Beijos

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  7. Que riqueza de detalhes!!!
    Já estou agoniado esperando a Parte II...

    A história me fixou..
    Abraçuu.

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  8. Olá Arthur !
    Poxa !!! Incrível, mas a riqueza de detalhes de seu texto me fez imaginar, realmente viajar na história.
    Espero poder acompanhar a outra parte.

    Tenha uma ótima tarde!
    Bjs

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  9. Oi Arthur, vim ler seu blog e me deparei com essas 3 partes.
    Li a primeira e fiquei curioso. Gostei bastante do jeito que você colocou de forma indireta e diferente os pensamentos e os comandos. VOu voltar depois pra ler as outras duas continuações. Seu blog tá fantástico. Agora vou indo dormir que to cansado, rs.
    abraçoo

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  10. Esqueci de agradecer muito por vc dizer que será um leitor assíduo. A sensação de chegar e ler isso é indescritível. Tenha certeza que ganhou um leitor assíduo também.

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